Neutro em carbono - Uma estratégia Socioambiental a favor do Clima
O aquecimento global é considerado o maior desafio da humanidade no século XXI. O padrão
de consumo das sociedades industrializadas e os respectivos modelos energéticos aceleram o
processo de aquecimento do Planeta. Para atender as necessidades de consumo e energia,
milhões de toneladas de CO2 são lançadas na atmosfera, implicando no aumento da
temperatura média do planeta e provocando alterações no sistema climático.
O aquecimento e a mudança do clima afetarão a vida de milhões de pessoas, empresas e a
capacidade econômica de vários países. Precisar estes efeitos não é uma tarefa factível, porém
as tendências indicam a necessidade de um novo modelo civilizatório.
As políticas nacionais deverão estar alinhadas com uma governança mundial. A sociedade, as
empresas e organizações civis têm grande responsabilidade e poder de estabelecer ações e
mudanças sustentáveis de grande alcance.
Pode-se atenuar este processo por meio de algumas iniciativas. Uma delas é a
compensação das suas emissões de CO2 por meio do reflorestamento (restauração florestal).
As árvores durante o seu crescimento capturam o CO2 da atmosfera através da fotossíntese e
liberam oxigênio (O2). Esta ação deve ser acompanhada de metas de redução (mitigação) das
emissões.
Trata-se de uma iniciativa voluntária, adotada por empresas comercias, de serviços,
indústrias em geral e organizadores de eventos.
ETAPAS DO PROCESSO:
Relatório: É elaborado pela Ecosfera 21. Divide-se em três partes.
1. quantificação das emissões de gases do efeito estufa (GEE) em CO2 equivalente;
2. proposta de compensação: indica o número de arvores que deverão ser plantadas para
seqüestrar o volume de CO2 definido na primeira ação; e
3. proposta de mitigação - estratégias ambientais: uso racional de água, ações
de redução do consumo de energia elétrica, material de escritório, material impresso,
alternativas de transporte sustentável, entre outros.
Referência Metodológica: GHG Protocol Initiative
O GHG Protocol é a ferramenta de medição e gerenciamento das emissões de gases do
efeito estufa mais utilizada mundialmente. Desenvolvida pelo World Business Council
on Sustainable Development (WBCSD) e o World Resources Intitute (WRI).
Plantio das mudas: São utilizadas mudas de espécies nativas nos projetos de
restauração florestal da Fundação SOS Mata Atlântica em áreas de mata ciliar, protegidas
por lei e que contribuam para a conservação da água e incremento da biodiversidade. O
número oficial de mudas é estabelecido no relatório. Incluí-se no preço da muda: o custo
de produção das mudas (viveiro); a preparação do solo; os insumos; a mão de obra; o plano de manejo;
e as vistorias técnicas.
Benefício empresarial:
Imagem Corporativa; comprometimento no combate ao aquecimento global; reconhecimento
da Responsabilidade Socioambiental; divulgação da iniciativa através da mídia, eventos
e materiais promocionais; através do exemplo outras empresas e organizações poderão
adotar a mesma estratégia.
Visitas monitoradas: O investidor poderá agendar as visitas de acompanhado do plantio e crescimento das mudas.
Selo "Carbono Florestal - CO2 neutralizado": A Ecosfera 21 autoriza o uso
irrestrito do seu Carbono Florestal na mídia impressa e eletrônica, por período
indeterminado, desde que associado ao respectivo negócio.
Benefício ambiental:
Recuperação de áreas degradadas - Reserva legal e matas ciliares; melhoria do micro
clima; estabelecimento de corredores ecológicos; restabelecimento da fauna e flora;
incremento da biodiversidade; reativação das nascentes - as florestas são produtoras
de água.
Benefício social do entorno:
Restabelecimento dos serviços ambientais necessários para a qualidade de vida e
atividade agrícola: conforto ambiental, fertilidade do solo, fornecimento de água.
O viveiro de mudas é administrado pela comunidade local gerando capacitação
profissional, trabalho e renda.
Investimentos:
Consultoria - Ecosfera 21
Elaboração do relatório de neutralização.
Plantio - Projeto Florestas do Futuro da Fundação SOS Mata Atlântica
Plantio de mudas de espécies nativas em projetos de restauração florestal.
Iniciativa pioneira visa compensar a quantidade de CO2 emitida pela força
de vendas
Em uma ação, até então, inédita em todo o mundo, a pharmexx Brasil, empresa especializada
em co-marketing através de suas equipes de propagandistas e promotores junto à indústria
farmacêutica, está realizando o projeto PLANTE ESSA IDÉIA. A iniciativa visa a
conscientização dos colaboradores da empresa sobre a necessidade de se preservar o
planeta além da compensação e a redução de todo CO2 emitido, por todos os propagandistas
gerenciados pela pharmexx Brasil.
Início - O projeto PLANTE ESSA IDÉIA começou com um inventário, realizado pela
consultoria Ecosfera 21. "O levantamento foi bem minucioso e trouxe alguns dados
interessantes e inéditos para a indústria farmacêutica. Por exemplo, para cada
propagandista que usa carro a gasolina e percorre uma média de 70 km diários, é preciso
plantar nove árvores por ano para que seja neutralizada a sua emissão de CO2, mas o ideal
é a utilização do carro à álcool, pois este tem sua compensação neutralizada, devido ao
plantio da cana e o reaproveitamento do bagaço da cana, na produção do álcool", revela
Angélica Leone Rossetti, diretora de Ação Sócio-Ambiental da pharmexx Brasil.
Paralelamente ao inventário, palestras sobre desenvolvimento sustentável estão sendo
ministradas para os colaboradores da empresa nos cursos da pharmexx Brasil, tais como
o de Formação & Qualificação de Novos Propagandistas, para que todos tenham consciência
da situação climática do planeta. "O uso adequado da energia, da água e a importância da
reciclagem do lixo estão sendo debatidos e discutidos, evitando assim o desperdício e
diminuindo a emissão do CO2", explica a diretora.
Plantio - O plantio de 693 mudas de árvores pela pharmexx Brasil, está sendo realizado
através do programa Florestas do Futuro da Fundação SOS Mata Atlântica, no período das
chuvas que vai de novembro de 2007 a março de 2008, no município de Salesópolis, em São
Paulo, beneficiando a bacia do Rio Tiête.
Neste ano, a pharmexx Brasil está contribuindo com o evento LUPA DE OURO, viabilizando a
iniciativa do Grupemef de neutralizar a emissão de CO2 do evento, que irá resultar no
plantio de 35 mudas de árvores na mesma região.
"Estamos trabalhando no envolvimento e formação ecológica de cada profissional para
estruturar um programa de ecoeficiência. E também na participação de nossos clientes,
pois estes estarão recebendo, pela primeira vez, uma certificação de que as equipes de
propagandistas utilizadas na divulgação de seus produtos são "Carbon Free", isto é, todo
propagandista tem sua emissão de CO2 compensada", sendo assim queremos cada vez mais
contribuir na preservação do nosso Planeta", finaliza Angélica.
O engenheiro Carlos Pedro Staudt, da Ecosfera 21, realizou treinamento sobre Desenvolvimento Sustentável, na
Convenção Danone Activia. E a diretora de ação social da pharmexx Brasil, Angélica Rossetti, entregou o selo Carbon Free
aos propagandistas. Essa ação faz parte do projeto "Plante essa idéia", que tem como um dos objetivos compensar todo CO2
emitido pelas equipes de propagandistas da pharmexx Brasil.
Como um grupo (ainda restrito) de empresas brasileiras está assumindo o desafio de calcular e compensar suas emissões de gases de efeito estufa.
Por Ana Luiza Herzog
Revista Exame - 24/09/2008
Em março de 2007, a fabricante de cosméticos Natura lançou um projeto piloto em Recife que mudou a rotina de 15% das consultoras que atuam nessa cidade. A companhia pediu que, a partir daquele momento, cada vez que uma delas fizesse uma entrega a um cliente, aproveitasse a oportunidade para recolher embalagens usadas de produtos da marca. O destino de todo o lixo seria a reciclagem — no ano passado foram recolhidas 90 toneladas.
Por enquanto, a iniciativa, que também abrange algumas regiões da capital paulista, é apenas um teste para um projeto mais arrojado, um abrangente programa de logística reversa para tentar reduzir as emissões de gases de efeito estufa da companhia. Se não fossem coletadas, as embalagens poderiam acabar se decompondo em algum aterro sanitário e se transformariam em gases que causam o aquecimento global. “O objetivo é que esse programa cresça e faça parte do cálculo das reduções de emissões da empresa num futuro próximo”, afirma Daniel Gonzaga, diretor de pesquisa e tecnologia da Natura.
Em tempos em que se discute exaustivamente o aquecimento global, encontrar maneiras de reduzir as emissões de gases de efeito estufa tornou-se uma obsessão comum a muitas empresas. Nos países europeus, esse empenho deve-se em grande medida ao fato de muitos deles serem signatários do Protocolo de Kyoto, que esta belece metas para a redução das emissões para as nações desenvolvidas. No Brasil, que pelo protocolo está isento da responsabilidade de reduzir a emissão de gases, as iniciativas são voluntárias (normalmente movidas por ideologia ou pelo anseio de polir a imagem).
Por causa disso, o que será incluído no balanço de emissões de cada empresa é totalmente arbitrário — decisão que cada companhia pode tomar sozinha ou com a assessoria de uma das poucas consultorias especializadas existents no país. Nesse levantamento podem ser levados em consideração itens tão diversos quanto o consumo de energias não-renováveis (como o carvão) numa fábrica ou o combustível gasto em viagens feitas por executivos. O mais comum é que as empresas inicialmente façam inventários restritos — por exemplo, as emissões geradas apenas na sede da companhia — e, aos poucos, aumentem o escopo do cálculo — incluindo o conjunto de operações.
O Bradesco, por exemplo, considerou apenas as emissões provocadas pela sede em seu primeiro inventário, em 2006 — do consumo de gás no refeitório ao gasto de combustível da frota de automóveis. No ano seguinte, o banco decidiu incluir no levantamento suas 3 000 agências espalhadas pelo país, além das outras três empresas do grupo, a Finasa, a Bradesco Seguros e a Scopus. “Fizemos o primeiro exercício e depois percebemos que poderíamos dar um passo maior”, diz Jean Philippe Leroy, diretor departamental de relações com o mercado do Bradesco.
Em junho, a instituição obteve a certificação ISO 14 064, uma garantia de que o banco tem processos precisos para quantificar e monitorar suas emissões. O selo também exige que o banco as reduza — neste ano, a meta de corte é 3,5%. Para alcançar o objetivo, Leroy conta com a ajuda de um time de 16 funcionários de diferentes áreas do grupo, cada um responsável por encontrar oportunidades de melhoria para uma fonte de emissão (tais como viagens de avião, consumo de energia etc.).
Se reduzir a própria emissão é tarefa difícil, incluir os fornecedores nesse processo é um desafio ainda mais complexo. Mesmo assim, no ano passado a Natura anunciou um plano para neutralizar as emissões em toda a sua cadeia produtiva. Com iniciativas como incentivo ao uso de refil e substituição de matérias-primas, a companhia conseguiu diminuir suas emissões em 7%. Neste ano, a redução deverá contar com a ajuda de uma mudança recente que, de início, soou como um contra-senso: a volta do uso do papel cuchê, em vez do reciclado, nos 2 milhões de catálogos de produtos distribuídos às consultoras a cada 21 dias.
A adoção do cuchê, que vem de florestas plantadas e tem o selo verde FSC, gerou uma redução de cerca de 60 páginas no livreto — já que sua qualidade permite a impressão das imagens dos produtos em tamanho menor. Com isso, a empresa não só economizará 3 500 toneladas de papelpor ano como deixará de jogar na atmosfera 4 500 toneladas de carbono.
Mesmo com todos esses esforços, os executivos da Natura sabem que jamais será possível eliminar totalmente suas emissões. A meta da companhia é reduzi-las em 33% até 2011 — e compensar os 67% restantes por meio de financiamento de projetos de reflorestamento e de produção de energia limpa. Este é um caminho comum a todas as empresas que pretendem ser “carbono neutro”: reduzir ao máximo as próprias emissões e, no que for impossível, encontrar projetos que valham compensações. No final de 2007, a Natura fez um edital para escolher projetos verdes que precisassem de investimento.
Um dos vencedores foi a AMC Têxtil, que receberá dinheiro para adaptar sua operação ao uso de biomassa no lugar do atual combustível fóssil (o valor do projeto não é revelado). Para especialistas, é importante que, antes de embarcar em programas de compensação, as empresas façam a lição de casa — a exemplo do que aconteceu com a Natura e o Bradesco. “Muitas empresas entraram de maneira cega na onda do plantio de árvores sem antes se preocupar em diminuir suas próprias emissões”, diz o consultor Giovanni Barontini, coordenador da filial brasileira do Carbon Disclosure Project, iniciativa internacional criada por investidores institucionais para incentivar as empresas a divulgar informações sobre suas políticas relacionadas às mudanças climáticas. “Pular essa etapa é mais fácil para as empresas, mas não ajuda a resolver, de fato, os problemas ambientais.”
ATRÁS DA SOMA ZERO
Os passos que uma empresa deve trilhar para neutralizar as próprias emissões de gases causadores do efeito estufa
1 – Cálculo
No Brasil, ao contrário do que acontece na Europa, as empresas não são obrigadas a reduzir emissões. Assim, cabe a cada uma definir o que quer compensar — do consumo de energia de uma fábrica às emissões de frotas de veículos. O Bradesco, por exemplo, considerou apenas as emissões da sede e da frota de veículos em seu primeiro inventário, em 2006. Há cerca de 15 consultorias especializadas nesse cálculo no país.
2 – Validação
Feitas as contas, o ideal é que a empresa contrate uma auditoria. No Brasil, esse trabalho pode ser feito por diversas certificadoras, como a brasileira Vanzolini e a européia Det Norske Veritas (DNV).
3 – Redução
Uma vez ciente do volume de carbono que gera, a empresa deve traçar um plano para reduzir as emissões. Aqui entram as ações de ecoeficiência. A Natura, por exemplo, alterou a fórmula de seus produtos para que eles usem menos substâncias de origem fóssil. Já o Bradesco trocou, de 2006 para 2007, toda a sua frota de veículos. Hoje, com exceção dos carros blindados, todos rodam movidos a etanol.
4 – Compensação
Como nenhuma empresa consegue zerar suas emissões, a saída é compensar o que não pôde ser eliminado. Para isso, vale recuperar florestas degradadas, financiar projetos de energia limpa ou comprar créditos de carbono. A Natura, por exemplo, financia a troca de combustível de origem fóssil por biomassa em uma empresa têxtil. O Bradesco plantou, no ano passado, 38 000 árvores para compensar as emissões de sua sede em 2006.
Ecosfera 21 realiza inventário de emissões do
Congresso e ExpoAlumínio 2007
Alumínio neutralizado
Denise Juliani
A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) vai neutralizar as emissões de gás
carbônico (CO2) geradas durante o III Congresso Internacional do Alumínio e a
ExpoAlumínio 2007 que acontecem em São Paulo na semana que vem (dia 22, 23 e 24 de maio).
A operação será em parceria com a SOS Mata Atlântica, dentro do Programa Florestas do
Futuro.
O cálculo das emissões foi realizado pela Ecosfera 21 Consultoria Ambiental que estimou
em 74,20 toneladas de CO2 as emissões dos dois eventos. O levantamento foi bastante
amplo, pois considerou fatores como os meios de transporte utilizados pelo público,
expositores e congressistas (por via terrestre e aérea); o consumo de embalagens
recicladas e de bebidas; a produção de papel, na forma de folders, folhetos e publicações
nos estandes; além do gasto de energia elétrica e produção de resíduos orgânicos
provenientes da preparação de alimentos.
As emissões serão compensadas com o plantio de 260 mudas de árvores nativas pela
SOS Mata Atlântica e, assim como as demais iniciativas que estão sendo realizadas
por diversas empresas que firmaram parceria com a ONG - entre elas a Gazeta
Mercantil -, o plantio das mudas ocorrerá entre novembro de 2007 e março de 2008,
no período das chuvas, o mais adequado para a operação.
Embora situe-se na área de mineração e seja consumidor intensivo de energia, dois
fatores de alto impacto ambiental, o setor de alumínio vem investindo em projetos
de sustentabilidade como forma de reduzir os efeitos nocivos ao meio ambiente de
sua atividade. Segundo dados da ABAL, as cinco maiores companhias do setor investiram
US$ 50 milhões nos dois últimos anos em programas relacionados à sustentabilidade.
Emissões de CO2 da ExpoAlumínio e do III Congresso Internacional do Alumínio
serão neutralizadas
Não é novidade que toda atividade humana requer disponibilidade de energia. Desde a revolução industrial,
a produção só cresceu. Com ela, cresceram também as emissões de gás carbônico, que aceleram o processo de
aquecimento global por meio do efeito estufa.
Para minimizar os efeitos sobre o meio ambiente, muitas empresas procuram consultorias especializadas em
diagnosticar onde devem diminuir emissões e como compensar o gás carbônico lançado na atmosfera. “O ideal
é reduzir o CO2. Isso é possível, por exemplo, ao trocar o transporte individual pelo coletivo”, diz Carlos Pedro Staudt,
consultor de meio ambiente da Ecosfera 21.
Mesmo assim, as emissões continuam, ainda que reduzidas. Mas é possível compensar o gás carbônico liberado. “É preciso ser
ambientalmente responsável”, afirma Staudt. “Com o reflorestamento, novas plantas capturam o CO2. O processo é lento, leva
anos, mas diminui os estragos.”
Com esse objetivo, os dois maiores eventos da indústria do alumínio da América Latina, ocorridos em maio deste ano, tiveram
suas emissões neutralizadas com a consultoria da Ecosfera 21. O gás carbônico liberado direta e indiretamente durante a
realização do III Congresso Internacional do Alumínio e da ExpoAlumínio 2007 será compensado com o plantio de 260 mudas
de árvores nativas. “A iniciativa, idealizada pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Abal, está
alinhada à preocupação da indústria do alumínio, um setor reconhecido internacionalmente como um dos mais social e
ambientalmente corretos, em promover o desenvolvimento sustentável.
A neutralização de emissões em eventos é uma prática ainda incipiente, mas que tem tomado vulto ante a maior
conscientização socioambiental do público participante de feiras e congressos aqui e no exterior”, afirma Ayrton Filleti,
coordenador da Comissão Organizadora dos eventos.